Casais que perderam o interesse pelo sexo após terem filhos

A vida sexual é sem dúvidas um dos aspectos mais afetados na vida de um casal após a chegada dos filhos.

Foto Reprodução - Imagem Google

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Durante os primeiros meses após a chegada de um filho a mulher permanece, biológica e psiquicamente fusionada com seu bebê. É o momento em que mãe e bebê são um só, vivem um estado simbiótico e necessário para o desenvolvimento saudável e para a constituição do vínculo mãe-bebê, precursor de inúmeros outros vínculos que esta criança formara ao longo de sua vida. Desta forma, é natural que o desejo sexual erótico da mulher não esteja tão presente, pois todas as suas energias estão necessariamente focadas na maternidade. Além deste aspecto psicoafetivo, tornam-se presentes as questões práticas da vida de quem tem um bebê, pois o bebê exige muita atenção e cuidados, acorda durante a noite e isso faz com que a mãe também fique fisicamente muito cansada, e isto contribui para o momentâneo desinteresse sexual, que pode se estender por muito tempo se o casal não estiver atento.

O homem, muitas vezes, fica perdido em relação ao seu papel logo após o nascimento do filho, algumas vezes sentindo-se deixado de lado pela esposa, preterido, sem uma função importante neste primeiro momento de vida do bebê. Isto muitas vezes provoca uma reação de isolamento no homem, de rejeição, ciúmes e ressentimento que afetam também o desejo sexual.

Além disso, um outro fator que contribui com o desinteresse sexual por parte do homem, e que muitas vezes vai se manifestando desde a gestação com a recusa do ato sexual, é que este deixa de ver sua esposa como mulher e passa a vê-la como mãe, podendo passar a projetar nela sentimentos vividos na sua relação com a própria mãe, ou colocando-se também como filho de sua esposa (muitos maridos após o nascimento dos filhos passam a chamar a esposa também de mãe). Em qualquer dos casos, o desejo sexual é reprimido pois se torna incestuoso.

A medida que os filhos vão crescendo muitas vezes o casal fica tão imerso na rotina da casa, das contas, dos cuidados com os mesmos, com o trabalho, o desgaste físico e mental que quando sexo é a última coisa que passa pela cabeça.

Para que se possa começar a resolver esta questão de desinteresse sexual, o primeiro passo é poder identificar o problema e haver entre homem e mulher um consenso sobre a necessidade de ambos esforçarem-se para cuidarem deste assunto. Quanto mais rápido o casal conversar sobre isso, melhor, pios quanto mais o tempo passa mais longo fica o caminho a ser retomado pelo casal, pois mágoas, ressentimentos, rancores e outros sentimentos acabam se misturando ao desinteresse sexual.

O ideal é que o casal já possa pensar e planejar em sua vida sexual ainda durante a gestação, buscando estratégias para manter o romance e o erotismo após o nascimento do filho em um momento em que ainda não estão tomados pela rotina e pelo cansaço. Para isso é importante que eles se informem sobre as necessidades do bebê, sobre a função de cada um nos primeiros meses de vida do bebê, que o pai compreenda sua importância e seu papel neste momento em que aparentemente só existe a função da mãe a mãe e que o casal possa se engajar nesta jornada juntos.

Uma ação importante é buscar profissionais da área da pediatria e da psicologia que trabalhem com orientação de casais grávidos justamente para que o casal conheça e compreenda mais profundamente não apenas as necessidades do bebê que ira chegar, mas as mudanças que essa chegada provocará na vida do casal, na vida do homem e da mulher individualmente, e como podem lidar de uma maneira saudável para esta mudança e para o novo papel que passarão a exercer dentro da família.

Algumas ações simples podem ajudar o casal que tenta retomar a vida sexual no casamento, porém é preciso que ambos estejam comprometidos em investir na relação e dedicar-se a cuidar do sexo como cuida da carreira e das demais coisas do dia a dia.

Quando nascem os filhos é importante que o casal reserve um tempo durante a semana para os dois, que se programem para estar juntos, para saírem para jantar, ir ao cinema ou ao motel. Apesar de alguns torcerem o nariz e estigmatizarem o sexo com hora marcada, a disponibilidade em reservar um tempo para o erotismo fortalece o vínculo do casal, pois coloca em evidencia o desejo sexual que há entre eles.

Além disso, a vida sexual saudável do casal é um outro motivo, além do bom desenvolvimento do filho, para que ele durma em cama própria e em um horário adequado. Assim o casal tem tempo e lugar para namorarem com mais tranquilidade.

Reconhecer no outro o momento em que a sexualidade está mais adormecida, por cansaço, problemas no trabalho, etc. E não se sentir desprezado ou ofendido, manter o diálogo aberto, contribui para a harmonia da relação e uma retomada da vida sexual de forma natural.

Incluir o parceiro em suas fantasias eróticas também estimula o interesse sexual.

Procurar sair da rotina de vez em quando, fazendo uma programação diferente, também é importante para manter aceso o interesse sexual. Afinal, a imaginação e a criatividade é que estimulam o desejo sexual.

Da mesma forma que a rotina, as vezes a intimidade excessiva prejudica o interesse sexual. O desejo está relacionado a certo mistério, a sedução, e por isso é importante preservar alguns aspectos da própria individualidade.

As mulheres em geral vinculam afeto e sexo. Se não se sentirem cortejadas, amadas, ou não admirarem seu parceiro a libido sexual cai e ela pode até sentir repulso pelo parceiro. Elogiar a esposa, mostrar-se bom pai e companheiro com certeza são passos importantes em direção a uma vida sexual mais ativa.

Os homens também gostam de sentir que a mulher se preparou e se arrumou para ele. Um lingerie provocante, um brinquedo erótico também são estratégias motivadoras de interesse sexual.

Fonte: Ana Paula Magosso Cavaggioni psicóloga e dretora da Clia Psicologia e Educação

Tel.: (11) 4424-1284 / (11)2598-0732

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