Os Efeitos da Ausência do Pai na Vida da Criança

Oi Mães e Pais, a configuração de família mudou, hoje em dia muitos casamentos não dão certo ou mesmo antes de casar um casal engravida e decide não se casar e terminar o relacionamento. Mas não é porque o relacionamento não deu certo que a relação pai e filho deve terminar ou nem começar.

Felizmente hoje muitos homens tem divido os afazeres domésticos, a responsabilidade e cuidados com os filhos.

Mas ainda encontramos alguns pais ausentes, ausente fisicamente ou mesmo  morando com os filhos muitos homens acabam se ausentando, por preguiça, comodismo ou por excesso de trabalho, alguns pais acabam não dando atenção e nem participando da vidinha do filho.

E como amanhã é dia dos pais conversei com a psicóloga  Cátia Rodrigues para entendermos quais são os efeitos que a ausência e o abandono do paterno podem causar na vida do filho, como a sua participação, carinho e apoio são importantes para as crianças. Confiram a entrevista

Foto Reprodução - Imagem Google

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Quais são os “prejuízos” que a ausência do pai causa nos filhos?

Depende do como a ausência do pai é levada pela criança e da maneira como a mãe lida com o ex-companheiro. As crianças são de fato muito simbólicas e sempre vão fazer associações de figuras paternas. Em muitos dos pais modernos, há questionamentos sobre o que é então ser um bom pai nos dias de hoje e como seria o pai ideal. Em primeiro lugar, é preciso entender que pai é aquele que a criança identifica e ama como pai, não necessariamente precisa ser o pai biológico. A figura paterna é resultado da relação íntima e afetiva entre pai e filho. Tanto um tio quanto um avô, quanto um novo parceiro da mãe que venha a construir um vínculo com a criança, ou pais adotivos (independente de orientação sexual), todos podem assumir efetivamente a figura paterna e serem os pais para aquela criança. É fundamental para o desenvolvimento de identidade da mesma conhecer e conviver com o pai,seja ele biológico, adotivo, ou agregado. Quando falamos de pai estamos falando da figura que representa as tradições, o esteio, a segurança, os limites, a confiança, a consciência da identidade.

Se estamos falando de pais separados, os pais precisam lembrar que o casal pode não ter dado certo, mas os filhos serão sempre filho dos dois e parte de cada um. Por isso, se a mãe denigre o pai, estará de fato denigrindo a criança, pois ela é uma derivação daquele pai também.  Algumas vezes, se a imagem do pai for associada ao sofrimento que o mesmo gerou à mãe e à família, o que pode acarretar dificuldades em seu desenvolvimento afetivo no futuro, como baixa autoestima, fragilidade e agressividade.

Em casos de abandono e ausência paterna é preciso que os familiares e responsáveis dêem espaço à criança para entender e compreender a situação, explicando a realidade por meio do diálogo, sempre fornecendo apoio e segurança à ela.

Em cada faixa etária a criança tem necessidades diferentes, como a ausência do pai refletirá na primeira infância e na adolescência?

Na primeira infância a importância está no limite, no ídolo, no modelo ideal. Ela terá impacto neste referencial, mas vale lembrar que a criança sempre busca modelos que vão representar o pai para ela. Como dito na questão anterior, pode ser um parente ou um ídolo. O pai é aquela pessoa que briga por ela na escola, é a representação do esteio, da segurança.

Na adolescência, o pai é a pessoa contra quem a criança se rebela. E este é um processo importante, a criança que fantasia um pai e descobre de que forma ele é diferente daquele pai e de que forma se assemelha. Está ligado à descoberta da individualidade da pessoa. Não ter contra quem se rebelar pode impactar nesta descoberta do eu.

E quando a ausência não é física, os pais são ausentes por trabalhar demais ou por não terem paciência, esse tipo de ausência causa algum problema à criança?

É muito pior do que a ausência física. De fato, pai ausente não necessariamente é aquele que está fisicamente distante. É ausente todo pai que pouco ou nada contribui para a criação e educação dos filhos, que não participa dos momentos importantes, morando junto ou separado da família. A presença física do pai que se sente obrigado a cumprir seu papel, ou indiferente quanto à criança também gera reflexos emocionais negativos sobre a mesma, como o sentimento de rejeição. Nesses casos de sentimento de obrigatoriedade e indisposição, a ausência pode ser mais benéfica.

Quem sofre mais com a ausência do pai, as meninas ou os meninos?

Os dois sofrem igualmente.

E quando o pai falece, o que a mãe pode fazer para suprir essa ausência?

É preciso dar tempo para o luto da criança. A mãe pode neste caso conversar com a criança e ajudá-la a compreender que aquela tristeza ou raiva são legítimas, que a dor dela existe e é legítima.

Ela precisa honrar o pai e celebrar o pai para aquela criança. Falar das características boas daquele pai presente naquela criança.  Os filhos são a derivação do pai e parte deles também. Os elogios à personalidade/características daquele pai estarão ajudando na segurança e autoconfiança dos filhos.

 A mãe precisa acolher a criança em seu sentimento e pode fazer isso de forma lúdica. Fazer desenhos junto com a criança para expressar as emoções sempre ajuda, assim como brincar/representar com bonequinhos. A mãe precisa ajudar a criança a elaborar a perda e integrá-la dentro do seu ser.

Fonte: Cátia Rodrigues é Psicóloga e pesquisadora Pós-Doc da PUC/SP, especialista em relacionamento afetivo e familiar. Escritora e educadora há mais de 15 anos, é PhD em Psicologia Social e uma das maiores especialistas desse tema no Brasil. Graduou-se pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, com especialização em Saúde Mental pela Universidad de León (Espanha), mestrado, doutorado e Pós-doutorado em Psicologia Social pela PUC-SP.

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  • Ruth Marques

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