Os erros das mães de primeira viagem

Texto de Cynthia Boscovich

Desde a gestação percebo a angustia das mães que temem falhar nos cuidados com os seus bebês e principalmente quando já estão vivendo as maravilhas e as agruras da maternidade.

Reprodução - Imagem Google

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E vários questionamentos me ocorrem: O que é errar? O que é acertar? Será que é possível saber sobre acertos e erros quando se está envolvido nessa relação tão intensa?
Pois bem, mas o que tenho visto ultimamente são mães tentando seguir um protocolo de cuidados com seus filhos, deixando de lado a sua espontaneidade, que deveria brotar naturalmente. Perdeu-se a simplicidade, perdeu-se a confiança na intuição materna e quem ganhou com isso foram as babás eletrônicas e a tecnologia que passou a dominar esse contexto.

Mas será que as mães deixaram de ser mães? Será que as mães mudaram tanto ao ponto de serem hoje tão diferentes das mães de antigamente?

O que mais observo, na verdade, é que as mães continuam com as mesmas preocupações com os seus bebês, e conseguem – quando estão envolvidas com os cuidados com eles – atender com serenidade suficientemente bem o que eles necessitam – entretanto, o que diferencia as mães de hoje, é o fato de terem que trabalhar fora e em alguns casos, são elas que sustentam a casa, e não conseguem perceber que acumulam tarefas sem delegar funções, ou quando conseguem delegar, as realizam carregadas de culpa.

Mas o que considero um dos maiores erros das mães de primeira viagem, é o fato de estarem tão preocupadas em acertar que acabam, sem perceber, perdendo a sua naturalidade e deixando de lado a condição natural que tem de estar em sintonia com o bebê, sem precisar fazer uso de palavras, apenas sentindo o contato com ele pela respiração, pelo olhar, pelo toque, pelo cheiro, denotando a mais perfeita sintonia que contribui para que ambos se fundam em uma só unidade, fundamental para o desenvolvimento psíquico saudável dele.

Vale ressaltar que não há mãe boa que não falhe e é evidente que estamos nos referindo às mães que falham por que querem acertar e se podem reparar os seus erros é por que tem condições emocionais para promover um bom desenvolvimento aos seus filhos, desde que essa falha não seja repetida como um padrão.

Qual mãe não deseja ser perfeita? E qual mãe não se sente culpada por ter errado? Mas o que considero mais importante é a vontade de acertar, de estar junto, de priorizar o convívio, sem precisar terceirizar os cuidados da criança.

A maternidade implica em tantas coisas, boas e ruins, que se forem bem aproveitadas podem resultar em um grande crescimento, não só para os filhos, mas principalmente para as mães e quem estiver envolvido nessa jornada.

Fonte – Cynthia Boscovich – Psicóloga clínica, psicanalista. Membro regular da sociedade brasileira de psicanálise winnicottiana. Atende adolescentes e adultos em seu consultório. Desenvolve também um trabalho específico com gestantes, mães e bebês, na área de prevenção e tratamento.

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Email: cynthia@cuidadomaterno.com.br

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