Bebês também podem ter insônia

babysleepEngana-se quem pensa que insônia é problema de gente grande. Infelizmente, algumas crianças também podem sofrer desse mal. As causas são inúmeras e variam conforme a idade, sexo e contexto familiar. O problema pode começar logo aos 2 meses de vida e tornar-se um tormento para os pais de plantão.

Segundo o neurologista Leandro Teles “A insônia infantil tem que ser avaliada sob 3 pilares: o contexto ambiental, as doenças clínicas e, por fim, distúrbios específicos do sono”.

Como podemos perceber a via final é a dificuldade em pegar ou manter o sono, mas, na verdade, a causa pode variar de uma otite, uma rotina inadequada à separação dos pais.

Antes de diagnosticar a causa é fundamental reconhecer o problema. Em crianças muito pequenas isso é um problema, pois o sono já naturalmente fragmentado e irregular. O bebê inicialmente mama de 3 em 3 horas, distingue mal o dia da noite (já que no útero era sempre noite), tem muita dificuldade em ajeitar sua posição no berço, etc. Com o passar dos meses surgem as cólicas, a dificuldade em se distanciar da mãe, a birra, etc. Em cada fase o sono tem seus determinantes e seus problemas. A necessidade natural de sono também varia bastante nos primeiros meses. Inicialmente o bebê precisa de 20 horas de sono (só acorda para mamar), esse tempo se reduz progressivamente, em torno de 1 ano o bebê dorme 1 ou 2 vezes de dia e pode aguentar quase a noite toda sem mamar. Claro que existe muito variabilidade entre os pequeninos, a depender da genética e dos hábitos de criação de cada um.

Como os pais podem notar que o filho tem insônia?

Além da óbvia dificuldade em adormecer e de constantes despertares, é fundamental perceber sinais indiretos como irritabilidade, agitação e cansaço diurnos.  “Toda criança saudável passa por períodos de insônia de vez em quando, se isso persiste por mais de 3 semanas e não há um motivo evidente do sintoma, é necessário consultar um especialista”, afirma o neurologista.

Entre os principais problemas clínicos que podem gerar noites mal dormidas estão: refluxo gastro-esofágico, cólicas, intolerância ao leite, obstrução nasal, tosse crônica, etc.. Do ponto de vista ambiental os principais erros são: locais barulhentos, temperatura inadequada do ambiente, excesso de iluminação, roupas inadequadas, etc. Falando do comportamento, mais erros: falta de rotina, excesso de estímulos próximo da hora de dormir, falta de estimulação diurna, etc.

Garanta uma boa noite de sono

Seguindo algumas dicas é possível afastar a insônia do seu filho e garantir que ela durma tranquilamente. O neurologista Leandro Teles ajuda você a resolver esse problema que está perturbando o sono do seu bebê.

– Antes de dormir, evite dar ao seu filho estimulante, tais como alimentos e bebidas que contenham cafeína, açúcares refinados ou chocolate, que podem deixá-lo acordado a noite inteira;

– Evite servir refeições pesadas no período noturno, determine um horário para fazer as refeições algum tempo antes de se deitar;

– Estipule um horário regular para dormir (inclusive nos finais de semana), a rotina regula com eficiência o relógio biológico.

– Ao despertar a noite, procure resolver o problema objetivamente. Se a chupeta saiu, coloque-a no lugar sem tirar o bebê do berço, se o problema é fome, alimente-o sem ficar estimulando demais, se é frauda troque-a com rapidez e evitando chacoalhar demais o bebê.

– Cuide do ambiente: atente para a temperatura, o conforto, o nível de ruído e a iluminação. Evite decoração muito pesada e excesso de estímulos no berço.

– Evite estimular demais a criança na hora de deitar, prefira ouvir música relaxante ou dar um banho morno.

– Evite colocá-lo para dormir de bruços, preferira a posição de barriga para cima ou de lado, caso necessário, coleque um travesseiro anti-refluxo.

– Converse sempre com o pediatra responsável sobre o sono do seu bebê.

Texto de Dr. Leandro Teles 
Dr. Leandro Teles – Neurologista – CRM: CRM 124.984 – Pai de Luiza 1ano 

Médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Atua no Hospital Alemão Oswaldo Cruz (HAOC)  – SP
www.leandroteles.com.br

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